Serviço público.

“É um facto que o conteúdo dos media reflecte, no que se refere às questões políticas e económicas estruturantes, o pensamento e os interesses dos grupos proprietários porque é assim a natureza das coisas. Isto significa que esses media dão, em determinadas circunstâncias, uma perspectiva enviesada ou parcial da realidade.

Embora com percursos diversos e em tempos diferentes, foram sendo desenvolvidos, na segunda metade do século XX, na Europa, no Canadá e no Japão, conceitos de grupos de media de propriedade pública que garantem aos cidadãos uma informação independente e pluralista. São os serviços públicos de rádio e de televisão.

Serviços públicos porque são propriedade pública e não porque difundam informação de utilidade pública, como a meteorologia ou as datas das vacinas da gripe. Esta visão redutora e anedótica do serviço público está, aliás, na origem da peregrina ideia de entregar os «conteúdos do serviço público» a empresas privadas.”

João Alferes Gonçalves, A privatização da RTP e o vírus da herpes

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    • João Alferes Gonçalves
    • 25 de Setembro, 2010

    Cara Aline Flor

    Agradeço-lhe a atenção que dispensou ao meu post, mas quero chamar-lhe a atenção para o facto de eu ter referido no penúltimo parágrafo a questão que põe em evidência:

    (…) Em desespero de causa, os defensores portugueses da extinção do serviço público argumentam com a interferência governamental no processo informativo da RTP. É um argumento fraco, porque essa interferência pode ser eliminada através da adopção de procedimentos e modos de organização do serviço público que estão em vigor noutros países (…)

    Não é necessário inventar nada. Tanto a BBC, como a CBC ou a NHK (e os serviços públicos da Alemanha ou da Finlândia, por exemplo) têm um tipo de organização que praticamente elimina a ingerência exterior (política ou económica) e o acesso da mediocridade a cargos de chefia e direcção. O que, como se sabe, não acontece na RTP.
    Argumentar contra a existência de um serviço público porque a sua gestão é incompetente não faz sentido. Neste caso, o que há que fazer é mudar os gestores e, se necessário, o modo de gestão.

  1. Caro João,

    Sim, eu percebi o argumento e concordo plenamente, e foi por isso que salientei aquele seu último apontamento (sobre os erros não deverem ser causa para extinção).
    Mas achei interessante relevar outras partes do texto porque é algo muito mais próximo do que aprendemos na faculdade (onde não me lembro de haver sequer quem pusesse em causa a necessidade de existência do serviço público de rádio e televisão), e o objectivo deste blog (que é lido maioritariamente por colegas) é justamente reflectir sobre coisas que aprendemos com exemplos dados fora das salas de aula.

    A última frase era só uma piada 🙂 Mas muito obrigada pela achega!

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